A crise, a inflação e a economia criativa

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A inovação é uma palavra sempre presente em nosso vocabulário e ela não ocorre naturalmente. O ser humano em sua natureza é procrastinador e tem em seu instinto a busca pela segurança de uma zona de conforto e zonas de conforto não são os ambientes mais propensos ao surgimento de ideias inventivas.

Ambientes inovadores nos fazem pensar fora de nossa bolha de segurança e crises como a que estamos vivendo hoje nos trouxe um velho conhecido de volta: “A inflação”.

A inflação é um dos piores cenários para os atores econômicos. A sociedade perde poder de compra o que limita a sua condição de consumo e é o que a pressiona a mudar seus hábitos e então surge uma nova dinâmica. Troca-se o prato feito na hora do almoço pela refeição preparada em casa, a carne bovina cede lugar a carnes mais baratas, a embutidos e ovos. Os passeios e programas de lazer são simplificados quando não são simplesmente cortados da rotina da família e as assinaturas de serviços de streaming são substituídos pela aquisição das famosas TV box que geralmente vem acompanhadas de uma assinatura que substitui tudo isso por uma fração dos serviços oficiais que é acessada com o uso da internet compartilhada com o vizinho com quem você divide o acesso e a conta da banda larga.

O brasileiro é engenhosamente criativo porque vive permanentemente sob pressão e como somos acostumadas as crises. A inovação e o jogo de cintura estão em nosso DNA.

Isso também se aplica à Industria que busca manter suas margens de lucro e a preservação de seu share de mercado praticando a “Reduflação”.  Tentando evitar a substituição de seu produto, de sua marca por concorrentes de preços mais acessíveis.

A reduflação pode ser um termo novo para você, mas você já a conhece há algum tempo. A indústria para preservar seu volume de vendas e as margens de lucro de seus produtos nem sempre conseguem repassar seu aumento de custos e a solução encontrada se dá de suas formas, sendo ela a redução do tamanho das embalagens acompanhadas ou não de mudança na composição do produto, há alguns anos atrás um pacote de bolacha recheada (ou biscoito, sem polêmicas, chame-o do que quiser) possuía como padrão o peso de 200 gramas e que sem percebermos foi sendo reduzido para 180, 160 e até mesmo 90 gramas e nesse caso a disposição do produto dentro da embalagem muda para dar a impressão de que ainda possui algum volume. No caso de mudança na composição do produto temos como exemplo mais recente é o leite condensado que virou polêmica nas redes sociais porque ganhou uma opção mais barata com a mesma marca, o mesmo nome e identidade visual, porém com uma grande mudança em sua composição na qual a descaracteriza de ser um leite condensado para ser algo com cara, cheiro e gosto de leite condensado, mas que não passa de uma gambiarra química barata.

Cenários de crise são na verdade uma luta pela sobrevivência das empresas e da preservação dos hábitos de consumo da massa consumidora. A criatividade, inventividade vem justamente para isso. A sociedade lutando para se sustentar e da forma como conseguir, manter seus hábitos de consumo e as empresas utilizando de sua criatividade para esconder a inflação de seus preços.

Com isso vamos aprendendo a conviver com o leite condensado que não é leite condensado e com o lanche de picanha que tem apenas o cheiro e o gosto da picanha, mas que não é picanha e que ainda acreditamos pode ser feito de carne de minhoca.

E é a vida que segue meu amigo leitor. Como o saudoso cantor Chorão fala: “Dias de luta, dia de glória”.

“Vida longa e próspera”

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