A volta do trem

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Na década de 80 o país fez uma opção pelo modal rodoviário e o que se viu foi pouco a pouco a ferrovia ir desaparecendo. Atualmente, as rodovias representam 84% da matriz de transporte do Estado, o que aumenta os custos de logística de diversos setores produtivos, principalmente a indústria. Mas foi uma escolha e como sempre, traz consequências.

E o que enfrentamos atualmente tem relação com isso. É assustador que na maior parte do dia, por exemplo, a SP-75 esteja sempre com intenso fluxo de veículos, quase como se fosse uma avenida de uma grande cidade.

É fato que a estrada é o caminho para o Aeroporto Internacional de Viracopos, além de fazer a ligação com rodovias que vão para outras regiões do país. Para os saltenses ainda nos conecta com a vizinha Indaiatuba, onde muitos vão diariamente trabalhar.

A questão é qual vai ser a solução. Não me parece provável a possibilidade de ter mais faixas de rolamento. Também não se trata de uma questão de diminuir a velocidade. Está além disso, tem a ver com capacidade mesmo.

São inúmeros acidentes, às vezes com mortes. Isso sem falar na situação lamentável dos moradores do Morada do Sol que pulam a alta mureta de concreto para atravessar as pistas e ir até o Distrito Industrial de Indaiatuba. De vez em quando, você dá de cara com um pedestre muito próximo da pista e do seu carro. É um susto. Também faltam abrigos de ônibus para os trabalhadores de indústrias que estão nas margens da rodovia Santos Dumont. Em dias de sol, ficam expostos ao calor intenso; em dias de chuva, molhados.

Nesse contexto tem a pressa de cada um; a confiança excessiva nos veículos e na própria condução; a disputa por espaço entre carros de passeio, ônibus, motocicletas –algumas de baixa cilindrada— e caminhões, cada vez maiores e mais pesados. Pois é, trata-se de uma combinação difícil de dar certo.

Uma alternativa pode ser a proposta do Governo do Estado em desenvolver um planejamento ferroviário. Um grupo de trabalho foi criado para discutir o assunto e vem se reunindo em várias regiões do Estado. O objetivo é ousado, criar uma espécie de rodoanel ferroviário, interligado com outras opções de transporte.

A Secretaria de Estado de Logística e Transporte está em busca do apoio de setores representativos para coletar dados e informações. Além disso, segue em regime de urgência para votação na Assembleia Legislativa a proposta, de autoria do Governo do Estado, para organização do transporte ferroviário de cargas e passageiros, que ainda prevê regulamentação do transporte ferroviário, do uso da infraestrutura e dos tipos de outorga possíveis para exploração indireta de ferrovias em todo o Estado.

Com o preço do diesel nas alturas e o custo do pedágio, assaltos em paradas de caminhões, além da demora nas entregas. Diante desses e tantos outros fatores, me parece razoável que o trem volte a ser uma opção. O mais interessante é que a proposta também contempla transporte de passageiros.

Na verdade, nem precisa ser um especialista no assunto para saber que apostar em um único modal de transporte tinha tudo para dar errado. Quem sabe agora seja o momento ideal para viabilizar outras opções. O setor produtivo agradece.

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