Atitudes que fazem a diferença

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Essa poderia ser uma história de mais um espaço público abandonado, sendo usado irregularmente para descarte de entulho e lixo. Mas, ainda bem, a realidade é outra. Isso por que um dos vizinhos do local resolveu trazer para si a responsabilidade de fazer algo diferente. Ele é motorista de carro de aplicativo para complementar a renda proveniente da aposentadoria. Mas gosta mesmo é do jardim que ajudou a criar. Tanto que em um dia desses, numa dessas viagens de carro, fez questão de falar sobre o “Bosque da Vila Flora”.

 

“Cada um ajudou de um jeito e eu fui trabalhando e consegui deixar do jeito que está”, contou José Mauro Bezerra, de 67 anos. Esse foi o motivo para despertam nossa curiosidade para ir conhecer o local. A grande área verde, localizada no quarteirão entre as ruas Palma de Ouro e Andiroba, se tornou conhecida como o “Bosque da Vila Flora”. Quem conhece sabe que é um lugar sempre bem cuidado, com água, bancos, mesas e até uma churrasqueira, mantido graças ao esforço dos moradores da região.

 

Tudo começou quando o seo José, que mora no bairro há mais de três décadas, cansou de esperar as promessas do Poder Público. Logo se juntou com pessoas que pensavam do mesmo jeito que ele e há cerca de quatro anos decidiu começar com o plantio, a limpeza e a arrumação – que inclui a pintura dos bancos e colocação dos pneus. O grupo formado por vizinhos e amigos contribuiu para a transformação do espaço que estava sem nada. “Faz 32 anos que moro aqui e assim que me mudei, ainda na época do ex-prefeiro João Conti, passaram o trator, limparam a área dizendo que plantariam árvores, mas não plantaram. Logo depois falaram que fariam parquinho, fariam isso e aquilo e nunca fizeram nada. Ai eu pensei ‘quer saber, deixa que eu mesmo faço’. Já que falam que aqui é o Bosque, então vai ser”, contou o morador à reportagem do PRIMEIRAFEIRA.

 

No Bosque foram plantados 544 mudas, todas contadas e catalogadas – sim com plaquinhas de identificação – das mais diversas espécies, inclusive nativas. No espaço encontramos Ypê, Pau Brasil (razão do nome ao nosso país), Aroeira e outras mudas. O cuidado é diário.

 

Em meio à natureza, com o canto dos pássaros, o morador faz desse trabalho uma terapia: recolhe as folhas, rega as plantas. “Se sobrou um tempinho, eu venho pra cá. É uma terapia. Estou de boa agora, não está vendo? Queria ficar mais tempo, mas preciso de uma atividade”, disse. “Minha intenção é procurar melhorar um pouco mais e plantar outras mudas que cresçam mesmo na sombra, porque ainda acho que ainda tem bastante espaço sobrando”, planeja.

 

Por se tratar de uma área pública, todos podem utilizar, mas seo José ressalta a educação dos moradores em sempre solicitar o uso do local. “Aqui é livre. As pessoas falam que vão usar e eu peço apenas para limparem e separarem os materiais recicláveis”, explica.

 

Apesar de fazer um trabalho que beneficie a todos, há quem não goste de suas ações. “Já me denunciaram sobre uma criação de galinhas por ser uma área pública. Eu aleguei que elas nos ajudavam, comendo aranhas, escorpiões e outros insetos. Isso me deu uma raiva! O fiscal falou e em seguida eu o chamei para acompanhar e gravar mostrando as mudas e tudo o que tinha feito. Na hora que estava plantando, ninguém foi denunciar. Mas vou parar de criar as galinhas porque me dá muito gasto”, completou.

 

Errado o seo José não está. Por conta de animais peçonhentos é comum encontrar em condomínios de alto padrão galinhas de angola, que ajudam no controle biológico do meio ambiente, com um custo baixo. Mas é verdade, que no caso específico, de galinhas poedeiras, existem restrições de criação em área urbanapor conta de geração de barulho e mau cheiro.

 

As mudas e os insumos necessários para a manutenção do espaço são fornecidos pelos amigos e vizinhos do seo José. Assim, com uma doação aqui e outra ali, provavelmente o “Bosque da Vila Flora” é uma das áreas públicas mais bem cuidadas de Salto. A limpeza, o plantio, os reparos, tudo é por conta do aposentado.

 

Iniciativas assim mostram que com pequenas atitudes são possíveis grandes mudanças.

 

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