Imprudências ao volante são as principais causas de acidentes na SP-075

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A imprudência dos condutores é apontada como uma das principais causas de acidentes nas rodovias estaduais. E, em apenas seis meses, mais de 10 mil infrações aplicadas a condutores alcoolizados foram registradas na SP-075. Coibir a prática de dirigir após ingerir bebida alcoólica está entre os desafios da Polícia Rodoviária Militar. O Tenente Nilmar Demartini, que assumiu há pouco mais de um mês o Comando do 5º Batalhão da Polícia Rodoviária Militar – 1ª Cia – 2º Pelotão, após ter ficado a frente do policiamento rodoviário em Barueri, conversou com a reportagem do PRIMEIRAFEIRA e contou detalhes da atuação dos policiais militares rodoviários e as características do trecho da SP-075 que corta a região.

 

 

Como é a atuação do policiamento rodoviário militar?

 

Tenente Nilmar Demartini: O policiamento rodoviário mudou um pouco seu jeito de fiscalizar. Hoje fiscalizamos mais as atitudes dos condutores e das pessoas em si. Antes o foco era nos veículos, seu estado de conservação, Hoje estamos fazendo programas e uma nova forma de policiamento para mudar a atitude dos condutores. Não significa que deixamos de fiscalizar os veículos, isso continua ocorrendo. Mas hoje as principais fiscalizações são em relação à embriaguez, com testes utilizando os etilômetros, conhecido popularmente como bafômetros, e também a fiscalização sobre excesso de velocidade. Além disso, aqui na SP-075, próximo à Salto, nós fazemos muitas operações com radares, inclusive passamos a operar também com radares no período noturno, já que adquirimos flashes, equipamento que até então não existia. Ainda fazemos diariamente operações próximas às praças de pedágio de Itu, no quilômetro 12, que compreende um pedaço da Rodovia Castello Branco; nas estradas vicinais que ligam Salto a Itu, ou outras rodovias onde existe o risco de ultrapassagens em local proibido.

 

 

 

Quais as diferenças desse trecho da SP-075 (Sorocaba-Campinas) para o que senhor trabalhava na região metropolitana?

 

Tenente Nilmar Demartini: É um trecho muito diferente. Lá também tínhamos muitos casos de embriaguez ao volante, muitos acidentes, só que em virtude do tráfego maior, as velocidades são menores e acabam tendo menos acidentes graves do que aqui. Esse trecho (altura do km 24 da Rodovia SP-075, sede do Batalhão da Polícia Rodoviária Militar) a noite, principalmente, é um pouco mais sossegado (em relação ao trânsito de veículo) e são muitos os casos de excesso de velocidade que detectamos. Os trechos que são permitidos trafegar a 80 quilômetros por hora, todos os dias, flagramos pessoas dirigindo entre 130 (km/h) e 140 (km/h).

 

 

 

Quais as principais causas de acidentes no trecho da SP-075 próximo a Salto?

 

Tenente Nilmar Demartini: A maioria dos acidentes são provocados pela imprudência e por isso concentramos as ações nas ocorrências de excesso de velocidade, que é o principal causador de acidentes. No trecho de Salto, da SP-075, ainda temos a problemática da travessia de pedestres. Temos agendado com a concessionária AB Colinas, um programa de orientação aos pedestres. Sei que nem todos os lugares têm passarelas, mas nos locais em que ocorrem a travessia constante, redobramos a fiscalização sobre o excesso de velocidade. É o que podemos fazer sem uma passarela.

 

 

 

Então não há imprudência apenas dos condutores?

 

Tenente Nilmar Demartini: Tem a imprudência dos dois lados. Sabemos que é difícil para algumas pessoas que precisam atravessar por essas vias e às vezes não sabem como atravessar. Para você ter uma ideia, uma das primeiras coisas que o policial rodoviário aprende é como se portar em uma rodovia, como atravessar uma rodovia e qual o momento de adentrar em uma rodovia. Muitas vezes as pessoas não têm essa noção. E o excesso de velocidade contribui para isso. Num trecho de 80 km/h se o condutor está a 120, 130, 140 (km/h), não consegue frear e o tempo de reação é menor. As rodovias são boas, pavimentadas, tem boa sinalização e em muitos lugares existem barreiras físicas para impedir o pedestre de atravessar, como telas, por exemplo. Acontece que os próprios pedestres danificam, cortam essas telas para passar. A concessionária detectando, ela repõe a barreira, mas infelizmente a pessoa quer evitar andar 100 metros até uma passarela e acaba se acidentando.

 

 

 

Quais os acidentes mais frequentes esse trecho?

 

Tenente Nilmar Demartini: Temos bastante ocorrências envolvendo acidentes que geram vítimas fatais; ocorrências de colisão traseira, seja por um caminhão que está muito lento na via ou por veículos com as luzes apagadas; pessoas embriagadas e excesso de velocidade. Muitos desses casos acontecem aos finais de semana.

 

 

A falta de iluminação no trecho próximo à Salto colabora para a ocorrência de acidentes?

 

Tenente Nilmar Demartini: Não posso afirmar que é apenas isso. Às vezes há uma má sinalização, já que muitas vezes as pessoas não usam o triângulo corretamente, ou nem usam; Há imprudência de motoristas trafegando no acostamento, que é uma infração gravíssima e também temos uma fiscalização constante. Nesse trecho entre Salto e Indaiatuba, quando trava, principalmente nos finais de tarde, muitos condutores insistem em utilizar o acostamento como via, o que não é correto. Pode ser melhorado a iluminação na rodovia, mas a falta de sinalização é importantíssima. São vários os fatores que contribuem para os acidentes nas rodovias hoje em dia.

 

 

 

A ampliação no número de pistas na SP-075 reduziria o número de acidentes?

 

Tenente Nilmar Demartini: Normalmente, se houvesse uma faixa a mais, ela seria destinada aos veículos pesados, e possivelmente com uma melhor fluidez no trânsito, contribuiria com uma redução no número de acidentes, mas não podemos afirmar. Essa é uma questão envolvendo outros fatores, como o modo que foi concebida a rodovia, o investimento, questões ambientais, etc.

 

 

 

Em relação aos caminhões, há muitas irregularidades detectadas pela PRM?

 

Tenente Nilmar Demartini: Ainda há infrações, mas elas reduziram bastante, isso por que em todas as rodovias concessionadas, como é o caso da SP-075, há a pesagem obrigatória nas balanças. Um caminhão com carga acima do permitido acaba prejudicando o pavimento; o DER faz operações continuamente sobre excesso de peso; a Polícia Militar também participa de algumas fiscalizações nessas balanças móveis.

 

 

 

Por que tem sido cada vez mais frequente as apreensões de drogas na SP-075?

 

Tenente Nilmar Demartini: As apreensões de drogas são relativamente grandes. O policiamento rodoviário apreende toneladas todos os anos. Durante a pandemia, deu uma diminuída, mas agora estão retornando os transportes de entorpecentes. Primeiro por que a rodovia Castello Branco é um eixo, assim como a Raposo Tavares, para quem vem do Paraguai, com destino a São Paulo. Há um trabalho de inteligência por trás, com apoio da Polícia Federal, da Receita Federal, mas também tem a experiência do policial, que muitas vezes desconfia do veículo, do condutor, do que fala, da carga que transporta, entre outros fatores.

 

 

 

Há muitos casos de acidentes envolvendo animais nas rodovias?

 

Tenente Nilmar Demartini: Temos muitos casos, principalmente de cachorros, que são abandonados nas margens da rodovia e, ao tentar atravessar a via, são atropelados. Normalmente são animais de pequeno porte, porém, a Polícia Rodoviária Militar patrulha e quando é identificado algum animal ou solicitado por algum usuário da via, prestamos o apoio, juntamente com a concessionária, que recolhe os animais. Não temos identificado muitos locais de animais silvestres. Os casos que ocorreram foram esporádicos, então não dá para afirmar, até baseado em dados estatísticos, que há um local que há maior presença desses animais nas rodovias.

 

 

 

E em relação aos ciclistas que utilizam a SP-075, quais ações estão sendo tomadas?

 

Tenente Nilmar Demartini: Fazemos campanhas nos sábados e domingos, quando há maior fluxo de ciclistas. Orientamos e mostramos acidentes que já aconteceram. Mas, de modo geral, eles são bem cautelosos, se deslocando em grupos e em locais seguros. Mas há as imprudências também, assim como dos veículos.

 

 

 

Quantas infrações foram aplicadas nesse ano pela Polícia Rodoviária Militar na SP-075?

 

Tenente Nilmar Demartini: Esse ano fiscalizamos quase 7 mil veículos; tivemos mais de 20 mil autuações, de todos os tipos, mas como já falei, sobretudo, embriaguez e excesso de velocidade; mais de 22 mil testes de bafômetros realizados só esse ano, dos quais, embora não tenha os números exatos, quase metade devem ter gerado autuações. É muita coisa.

 

 

 

Quais ações estão sendo desenvolvidas pela PRM para reduzir o número de acidentes?

 

Tenente Nilmar Demartini: Tem sido feito campanhas educativas. Recentemente fizemos uma que chama ‘Café com Pedestre’, fazendo orientações onde há passarelas. A Polícia Rodoviária Militar e a empresa concessionária se juntam e oferecem um café da manhã para atrair e orientar os pedestres, entregando panfletos e até coletes refletivos para quem precisa caminhar um ou dois quilômetros pela rodovia. Fazemos abordagens, verificando pessoas caminhando ou no canteiro ou no acostamento, orientando sobre os riscos em se utilizar esses trechos.

 

 

 

Houve alguma mudança na fiscalização com a chegada dos veículos elétricos?

 

Tenente Nilmar Demartini: Os veículos elétricos, sobretudo as motocicletas, tem uma legislação específicas sobre eles. A maioria não pode rodar em rodovias, pois são feitas apenas para trechos urbanos, de acordo com suas especificações e manual do fabricante. Tem algumas motocicletas que não alcançam a velocidade mínima de se rodar numa rodovia, que é a metade da máxima permitida. Ou seja, na SP-075, a maior parte do trecho tem limite de 110 km/h e existem muitas motocicletas que não chegam aos 55 km/h, então não pode. E ao contrário de que muitos pensam, elas têm de ser licenciadas, tem de ser emplacadas. Seguem as mesmas regras de uma motocicleta comum.

 

 

 

Acredita que a proibição de certos veículos de trafegar em horários de pico reduziria o número de acidentes?

 

Tenente Nilmar Demartini: Demanda um estudo maior. É como aconteceu na Marginal Tietê, em São Paulo. Lá ficou comprovado que caminhões não utilizarem a marginal em horário de pico colaborou para melhor fluidez no trânsito. A Polícia Rodoviária Militar tem policiais que trabalham em conjunto com o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) para esses estudos.

 

 

 

A PRM também trabalha com a educação de trânsito nas escolas?

 

Tenente Nilmar Demartini: Não temos um programa fixo, mas atendemos aos pedidos de escolas públicas e particulares ou quando entendemos que há um local que carece de alguma atenção. Quando tem conscientização desde pequeno, certamente no futuro isso valerá a pena. Além de importante é uma das funções, que inclusive o Código de Trânsito Brasileiro, incumbe à Polícia Militar.

 

 

 

Quais dicas pode dar aos motoristas para evitar acidentes?

 

Tenente Nilmar Demartini: Seguir as leis de trânsito, seguir a legislação. Só isso já evita bastante os acidentes. Não há uma fórmula mágica e não será do dia para a noite que vamos resolver, porém, com a fiscalização resolvemos algumas situações. No caso dos caminhões, é preciso que andem com o peso obrigatório para seu veículo e que estejam em boas condições. Isso seria uma medida a curto prazo. A longo prazo, obviamente, seria melhoria nas rodovias, nos entornos dos acessos.

 

 

 

Qual o grande trabalho para a Polícia Rodoviária Militar?

 

Tenente Nilmar Demartini: Temos feito esforços, estudos mundiais para buscar redução de acidentes, mas não sei se isso acontecerá um dia. Acho quase impossível, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Nosso desejo é que não tivéssemos mais mortes nas rodovias.

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